Suplementação estratégica durante o período das águas pode elevar produtividade e reduzir impactos da seca, aponta zootecnista

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As últimas semanas de chuvas intensas em diversas regiões produtoras reacenderam uma discussão recorrente no manejo pecuário: embora o período das águas proporcione maior volume de pastagem, nem sempre o capim apresenta qualidade nutricional adequada para sustentar altos níveis de desempenho animal.

Segundo Fernando Carlos de Oliveira, zootecnista e gestor técnico da NutriGanho, o crescimento acelerado da forragem nesse período pode reduzir a concentração de energia e proteína disponível, além de elevar o teor de fibras. Esse desequilíbrio impacta diretamente o ganho de peso dos animais.

De acordo com o especialista, a suplementação com ração de corte durante as águas atua como ferramenta de correção nutricional, complementando possíveis deficiências de proteína, energia e minerais. A estratégia contribui para ganho de peso mais uniforme entre os lotes e melhor aproveitamento do capim abundante.

“A suplementação permite que o animal transforme melhor o volume de forragem disponível em produtividade, refletindo em maior ganho de peso e rendimento de carcaça”, explica Oliveira.

Além do desempenho imediato, a prática também influencia o ciclo produtivo anual. Animais que atravessam o período das águas com bom escore corporal tendem a enfrentar a estiagem com menor perda de condição, reduzindo impactos da seca sobre o desempenho.

Outro fator relevante em períodos de chuva intensa é a deterioração da qualidade das pastagens. Encharcamento do solo, pisoteio excessivo e até mortalidade de forrageiras em áreas mais baixas podem comprometer o valor nutricional do capim. Nesse contexto, a suplementação ajuda a manter estabilidade produtiva mesmo diante das oscilações climáticas.

Manejo operacional também influencia resultados

O período chuvoso impõe desafios adicionais ao manejo alimentar. Segundo Oliveira, o uso de caixas alimentadoras pode otimizar a operação nas fazendas durante as águas. Existem modelos com capacidade para atender entre 100 e 150 animais por lote, reduzindo a frequência de abastecimento em comparação aos cochos convencionais.

Outro benefício operacional é a proteção da ração contra intempéries. Em cochos descobertos ou parcialmente protegidos, a exposição à chuva pode comprometer a qualidade nutricional do produto e gerar desperdício. As caixas alimentadoras minimizam esse risco, preservando a integridade da dieta fornecida.

Impacto na lotação e no custo por arroba

De acordo com o gestor técnico, a suplementação nas águas também permite trabalhar com maior lotação das áreas de pastagem, ampliando a produção de arrobas por hectare. Em alguns sistemas, a estratégia possibilita incremento de 30% a 50% no número de animais por lote, mantendo desempenho satisfatório.

Oliveira afirma que os resultados podem se aproximar dos ganhos observados em sistemas de confinamento, mesmo com investimento proporcionalmente menor em ração quando comparado ao período seco. Essa eficiência tende a impactar positivamente o custo por arroba produzida e o resultado financeiro ao final do ciclo anual.

Diante das variações climáticas e da necessidade de maior eficiência produtiva, a suplementação estratégica durante o período das águas se consolida como ferramenta de manejo para equilibrar nutrição, manter desempenho e otimizar o uso das pastagens no sistema pecuário brasileiro.

@nutri.ganho

Fonte: Panorama Goias comunicação / Imprensa