Alta do petróleo e logística pressionam distribuição de diesel e acendem alerta para o agro goiano

Foto: Gabriel Bastos/A7 Press/Estadão Conteúdo

A preocupação com possíveis dificuldades no abastecimento de óleo diesel em Goiás ganhou força nos últimos dias, justamente em um dos períodos mais críticos do calendário agrícola. Enquanto produtores relatam aumento expressivo no preço do combustível e atrasos na entrega, especialistas apontam que o cenário está diretamente ligado à alta do petróleo no mercado internacional e a desafios logísticos na distribuição.

De acordo com o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, o problema não está necessariamente na falta de diesel no país, mas na forma como a cadeia de distribuição está operando diante da volatilidade dos preços.

“O que está acontecendo é que o preço do petróleo subiu muito rápido e o diesel está sendo vendido com margem negativa. Em alguns casos, as distribuidoras chegam a perder cerca de 40 centavos por litro. Para evitar prejuízos maiores, elas estão reduzindo estoques e trabalhando praticamente no sistema just in time”, explica.

Segundo o especialista, a estratégia adotada pelas distribuidoras é comprar volumes menores e repor o produto conforme a demanda, o que diminui o risco financeiro diante das variações de preço. No entanto, essa prática também torna o sistema mais sensível a qualquer atraso na cadeia logística.

“Se houver atraso de um ou dois dias na entrega, isso já começa a aparecer em alguns postos. Não significa necessariamente falta de combustível, mas sim um gargalo temporário na reposição”, afirma.

Outro fator que pesa para o abastecimento em Goiás é a distância percorrida pelo diesel até chegar ao estado. Fabiano destaca que o combustível pode viajar entre 800 e 1.500 quilômetros desde as bases de distribuição até os postos ou transportadores regionais, o que aumenta o tempo de reposição e o impacto das oscilações de preço.

A situação ocorre justamente quando o setor agropecuário goiano depende intensamente do combustível para manter as atividades no campo. Em nota, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) manifestou preocupação com relatos de dificuldades no fornecimento do produto.

O estado vive atualmente a fase de colheita da safra de soja 2025/2026 e o período de implantação da segunda safra, principalmente de milho, etapas consideradas decisivas para a produção nacional de grãos. O diesel é essencial para a operação de máquinas agrícolas, transporte da produção, preparo do solo e plantio das lavouras.

Produtores também relatam forte aumento nos preços. Na semana passada, o diesel S500 era encontrado em média por R$ 5,35 por litro, enquanto nesta semana já ultrapassa os R$ 8,00 em algumas regiões, ampliando a pressão sobre os custos de produção.

Diante do cenário, a FAEG reforça que qualquer interrupção no fornecimento pode gerar impactos significativos no campo. A entidade também informou que acionou órgãos como o Procon, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia para acompanhar a situação e garantir a regularidade no abastecimento.

Para Fabiano Tavares, a atenção do setor neste momento é fundamental, já que o agronegócio opera com janelas curtas de tempo para executar as operações agrícolas.

“Quando o diesel começa a atrasar ou encarecer muito, o impacto chega rápido ao produtor. A colheita e o plantio dependem diretamente desse combustível. Qualquer dificuldade logística ou aumento abrupto de preço acaba pressionando toda a cadeia produtiva”, conclui.

@fabianotavares0 

Fonte: Panorama Goias comunicação / Imprensa